Você compreende que no nosso século e depois do ano de 2222 essa coisa passou a ser real?

Agora, preciso te contar algo, pessoa do século 21, que mudou tudo: o controle absoluto dos chamados super, super, super capitalistas finalmente emergiu de maneira avassaladora e consumiu tudo de forma voraz. Não havia mais a necessidade de se esconder atrás de políticos corruptos. Romperam-se muros, silenciaram as preces, apagaram-se os rostos. Tudo era a corporação, não há mais como negar nem mesmo motivos para isso. Esses grupos são tão colossais, tão além do que antes chamávamos de “megacorporações” que esse termo, simplesmente, ficou pequeno demais.

 Hoje, usamos uma nova designação: Petacorporações.

 Sim, “Peta”, como no prefixo que representa 10¹⁵ — um quatrilhão.

 É o nível de poder e influência que transcende fronteiras, governos, geografias, planetas e até a própria lógica do mercado.  Eles não apenas dominam setores — eles reescrevem as regras da realidade.

Vou tentar melhorar a sua ideia dessa realidade, tentar tornar mais concreta a sua compreensão, ok. 

Imagine que a população mundial na Terra seja de cerca de 8 bilhões de pessoas. 

Se você desse 1 milhão de dólares para cada pessoa, ainda sobrariam 999.992 trilhões de dólares na sua conta. 

Você poderia repetir esse presente 125 mil vezes para cada pessoa antes de acabar o dinheiro. 

E se você gastasse sem parar? Imagine que você gasta 1 milhão de dólares por segundo. Levaria 31.7 anos para gastar 1 bilhão. Levaria 31.7 mil anos para gastar 1 trilhão. Para gastar 1 peta de dólares, você precisaria de 31.7 milhões de anos.

Esse é o tamanho do poder financeiro das Petacorporações

Então pessoa, mesmo com o ressurgimento da magia e o desvelar de forças interdimensionais antes inimagináveis, as Petacorporações seguem inabaláveis em seu domínio. Elas não apenas resistem — elas absorvem, adaptam e superam. Por meio de cibertecnologias cada vez mais invasivas, da extração de recursos em planos além do físico e de um controle econômico que beira o absoluto, essas entidades moldam um futuro em que o avanço tecnológico não apenas rivaliza, mas subjuga qualquer outra força — seja mística, espiritual ou cósmica.

Eles não apenas dominam setores — eles reescrevem as regras daquilo que pode ou não ser real, daquilo que é ou não verdade.  bom, essa última sempre foi uma construção e a primeira, o real, tem muito de relação com nossas limitações.

Nesse panorama, as populações menos integradas às cibertecnologias tornam-se o núcleo da resistência — uma força persistente que desafia as corporações menores, ameaçam sua soberania e acendem focos de conflito em pequenos pontos, como picadas de mosquito. 

Esses embates se espalham pelos becos banhados em neon, pelos territórios mágicos recém-despertos e até pelos corredores ocultos da Matriz. Claro, tudo isso ainda acontece em escalas reduzidas, afetando principalmente os cidadãos comuns das megacidades — aqueles que vivem à sombra dos titãs corporativos.

Aconteceu também um ataque insano, tramado por um programa sinistro, criado na mente febril de IAs rebeldes e ciberterroristas ousadas. As velhas redes digitais ruíram como castelos de cartas, engolidas por um caos feroz que se espalhou pelos servidores do planeta. 

Projéteis nucleares foram disparados, mas neutralizados por forças desconhecidas que operavam por entre as fendas da “realidade”. 

Cidades no lugar que vocês chamam de América do Norte sofreram com estes ataques. Todos os lugares do planeta viveram essa bagunça cibernética. Mísseis nucleares foram lançados como gritos desesperados — mas, a maioria deles, antes de tocar o chão, foram desintegrados por forças misteriosas que surgiam das frestas do impossível, como ecos de uma realidade paralela. 

Relataram que alguns dragões rasgaram os céus com suas asas monumentais, talvez reivindicando os antigos territórios esquecidos, enquanto a humanidade era arrastada por epidemias furiosas e por um custo de vida tão surreal, até os sonhos precisavam ser parcelados. Cidades e vilarejos foram esmagados sem distinção — uma balada sombria tocada por um mundo fora de ritmo.

O colapso parecia inevitável — governos ruíram, fronteiras se esfacelaram e alianças se desfizeram sob o peso de conflitos inter-raciais e intermundos. Contudo, da desordem emergiu um novo pacto, ainda que instável, entre homem, magia e máquina: a cibertecnologia e a magia avançada erradicaram o código destrutivo e substituíram a velha Internet por um ambiente virtual expansível, batizado de Matriz. Essa rede, alimentada tanto por cabos de fibra óptica quanto por filamentos mágicos, fez da informação algo vivo, capaz de saltar entre dimensões.

Nas cinzas das antigas nações ergueram-se os Metroplexos: cidades verticais imensas que se entrelaçam e criam malhas de contato, proximidades, alguma forma de acessar os portais interplanetários. Nestas cidades os prédios são como torres que desafiam os próprios limites da gravidade. Quase se pode dizer que cada prédio é uma pequena cidade dentro de uma cidade maior. As corporações que um dia vocês viam como entidades comerciais tornaram-se “petaempresas” regendo territórios inteiros com suas próprias leis, exércitos e uma hierarquia que mistura poder, mistério e cálculo.

E os dragões sumiram …

Por aqui, o cenário oscila entre o sagrado e o sintético. Temos fábricas impulsionadas por reatores de plasma, rugindo como tempestades contidas; templos dedicados a entidades arcanas, nascidas da simbiose entre crença e código. O equilíbrio — se é que pode ser chamado assim — repousa sobre a lâmina de uma espada e o núcleo mutante de um vírus que não apenas infecta, mas pensa, aprende e se transforma. Ele é feito de linguagem.

Aquilo que foi tolerado foi integrado; o que resistiu foi explotado ou eliminado. A elite, adepta da simbiose entre implantes cibernéticos e ritualísticas arcanas, desfruta de privilégios quase soberanos. Já os dissidentes — hackers dissidentes, magos renegados, clãs caídos — trafegam nas sombras da Matriz e nos corredores proibidos dos portais, em busca de oportunidades para virar o jogo ou simplesmente sobreviver.

O Hipercapitalismo foi adaptado extremamente rápido …